PRAÇA PÚBLICA DIGITAL DE PROPRIEDADE PRIVADA: GÊNERO NO DISCURSO DE ÓDIO DA EXTREMA-DIREITA

Autores/as

  • Maysa Mazzon Camargo
  • Kelen Christina Leite

Palabras clave:

discurso de ódio, gênero, extrema-direita, plataforma X

Resumen

Este artigo examina duas charges publicadas na plataforma X, dedicadas à representação da pensão alimentícia e da reprodução. Em ambas as publicações, uma perda material, enunciada com precisão, é atribuída a causas que não encontram respaldo na legislação nem nos dados disponíveis. O objetivo é analisar como relações de gênero são mobilizadas para explicar supostos danos econômicos e como a dinâmica da plataforma permite a amplificação do discurso de ódio vinculados à extrema-direita. A pesquisa filia-se à Análise do Discurso de orientação francesa e recorre à noção de materialidade tecnodiscursiva desenvolvida no campo da Análise de Discurso Digital. As duas charges foram examinadas a partir de um corpus composto por 1.047 publicações coletadas por meio da extensão Zeeschuimer. A análise indica que a plataforma, ao mesmo tempo que estabelece regras de uso e moderação, oferece condições técnicas e discursivas para que elas sejam contornadas. Conclui-se que essa praça pública digital de propriedade privada favorece a transformação de supostas perdas materiais em discursos misóginos, cuja circulação ocorre sem moderação efetiva ou consequências imediatas para seus autores.

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Publicado

2026-10-15

Cómo citar

MAYSA MAZZON CAMARGO; KELEN CHRISTINA LEITE. PRAÇA PÚBLICA DIGITAL DE PROPRIEDADE PRIVADA: GÊNERO NO DISCURSO DE ÓDIO DA EXTREMA-DIREITA. REVISTA DA ANINTER-SH, [S. l.], v. 3, p. 41–53, 2026. Disponível em: https://revistadaanintersh.org/index.php/anintersh/article/view/156. Acesso em: 16 oct. 2026.