A FANTASIA DA INTEIREZA MASCULINA: FRAGILIDADE, MASCULINIDADE HEGEMÔNICA E A DRAMATURGIA DO MEDO EM HALF MAN

Autores

  • Carlos Eduardo de Oliveira Woyda

Palavras-chave:

Masculinidade Hegemônica, Dramaturgia do Medo, Inteireza Masculina, Vulnerabilidade, Violência de Gênero

Resumo

Este artigo analisa a série Half Man (HBO Max, 2026), de Richard Gadd, como objeto cultural que expõe as contradições internas da masculinidade hegemônica, tomando a fantasia da inteireza masculina e o medo da vulnerabilidade como eixos de investigação. A partir dos estudos críticos das masculinidades (Connell, 1995; Kimmel, 2008; Bourdieu, 2002; Thürler, 2020a, 2020b, 2021a, 2021b, 2021c, 2022, 2025a, 2025b), o trabalho emprega a análise cultural de produto audiovisual para examinar a relação entre os meio-irmãos Niall e Ruben, marcada por desejo homoerótico, dependência afetiva, autovigilância, homofobia e violência. Propõe-se o conceito de dramaturgia do medo para designar o regime narrativo pelo qual a ameaça de não ser suficientemente homem organiza ações, silêncios, vínculos e conflitos, transformando a própria interioridade em território de vigilância. A análise identifica três movimentos articulados dessa dramaturgia: a produção da inteireza masculina como ideal regulatório; a iminência da revelação daquilo que ameaça esse ideal; e a conversão defensiva da vulnerabilidade em vergonha, silêncio e violência. Conclui-se que Half Man não representa apenas homens fragilizados, mas expõe o mecanismo cultural que converte a vulnerabilidade constitutiva dos sujeitos em déficit masculino, fazendo do medo de ser desmascarado como “menos homem” uma força organizadora da masculinidade hegemônica.

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Referências

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Publicado

2026-10-15

Como Citar

CARLOS EDUARDO DE OLIVEIRA WOYDA. A FANTASIA DA INTEIREZA MASCULINA: FRAGILIDADE, MASCULINIDADE HEGEMÔNICA E A DRAMATURGIA DO MEDO EM HALF MAN. REVISTA DA ANINTER-SH, [S. l.], v. 3, p. 81–94, 2026. Disponível em: https://revistadaanintersh.org/index.php/anintersh/article/view/159. Acesso em: 16 out. 2026.

Edição

Seção

Artigos